GDF

PARA SALVAR O “PANELÃO PATROPI” SÓ DEPENDE DE NÓS

Rádio Federal Online

 

Brasília, 18 de maio de 2020

O nosso Brasil é um país que merece realmente ser redescoberto. Tem algumas situações e histórias que acontecem aqui que se não fosse contadas, divulgadas e gravadas ninguém acreditaria.

Existe um ditado popular, piada, brincadeira – que poderia ser para católicos como eu, considerada até de mal gosto – que reproduz uma conversa entre um anjo e Deus. O suposto anjo questiona Deus a respeito de privilégios que seriam dados ao Brasil quando da criação do mundo. O diálogo é assim: O ANJO FALA: “O Senhor criou o mundo e os países e nestes colocou terremotos, tempestades, furacões e até desertos”. DEUS RESPONDE: “É verdade, meu filho”. O ANJO VOLTA A FALAR: “Mas não é justo Senhor! No Brasil o senhor colocou matas verdejantes, mar maravilhoso e grandes rios de águas límpidas e muita vida”. DEUS RESPONDE: “É verdade, meu filho”. O ANJO RETRUCA: “Mas Senhor, isso não é justo”. DEUS FINALIZA: “Calma meu filho, ainda não acabei a obra, você vai ver o povinho que vou colocar lá!”.

Sabemos que esse diálogo, que não passa de uma brincadeira, de fato, representa um pouco quem nós somos. E antes que alguém fique chateado, quero deixar bem claro que não é uma regra. Mas faça uma pequena reflexão e vai descobrir ou lembrar de algumas pessoas que representam muito bem esse “diálogo”.

A humanidade passa hoje por uma das suas piores crises. Acho que conseguimos ter compreensão de que um vírus mudou a história. Ou você acha que não? Não sabemos ainda verdadeiramente como surgiu, porque surgiu, quem foi ou foram os responsáveis e o que é, mas sabemos que ele existe e que não pode ser ignorado. Seria, então, um recado de Deus para nossa decadente sociedade? Mas aí, é outra história e que até já escrevi…

Quero voltar para o sentido de escrever sobre o “diálogo entre Deus e o Anjo”. Não tenho dúvida que a pandemia do COVID-19, apesar de deixar rastros indeléveis de tristeza para milhares de famílias brasileiras, também deixará legados positivos, principalmente na mudança de hábitos e comportamentos. Mas, infelizmente, o nosso Brasil tem capacidade de deixar péssimo o que já estava ruim.

Brigas políticas regadas a muita intolerância e ignorância, parcialidade de quem deveria zelar pela racionalidade, debates inúteis que nada acrescentam, oportunismo covarde em tempos de muita comoção e fragilidade e desrespeito à liturgia de cargos públicos são alguns dos ingredientes do nosso atual “panelão patropi” nada republicano. E nessa guerra toda nenhum dos lados tem razão e os grandes derrotados somos nós, o povo brasileiro.

Alguém tem alguma dúvida que essa grave crise sanitária vai nos deixar uma grave crise financeira, humana e social? É hora de pensar no próprio umbigo ou no coletivo? Será que com tantas mortes, desemprego e fome, é hora de tocar em feridas deixadas por disputas políticas? Será que é eticamente e moralmente tempo de discutir aumentos de salários de categorias? Será que diante de toda destruição que será deixada por essa pandemia, e não será pouca, deixar mais R$ 2 bilhões disponíveis para bancar eleições municipais não seria uma insanidade? Quem de fato é prioridade?

A pandemia do COVID-19 pode nos dar a responsabilidade e a oportunidade de redescobrirmos um novo Brasil. Quero encerrar esse texto, a título de reflexão, com a letra de uma música que me marcou muito quando criança, já entrando na pré-adolescência. A música e letra é do Ivan Lins e foi interpretada também pela Turma do Balão Mágico: “Depende de nós, que já foi ou ainda é criança, que acredita ou tem esperança e quem faz tudo para um mundo (Brasil) melhor… Depende de nós se este mundo ainda tem jeito, apesar do que o homem tem feito, se a vida sobreviverá”.

*Luciano Lima é historiador, jornalista e radialista


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